terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Barão Vermelho: Sai Frejat, entra Rodrigo Suricato

Foto: O Globo


Fora dos palcos desde 2013, o Barão Vermelho anunciou neste terça a saída de Roberto Frejat (co-fundador da banda) e entrada de Rodrigo Suricato na guitarra e voz.

Nota pelo baterista Guto Goffi em seu perfil no Facebook




"Seremos todos iguais um dia, não é mesmo? Mas a minha caveirinha, será sempre vermelha. Do pó viemos e ao pó voltaremos, reza a Bíblia sagrada. Sagrado pra mim, é manter a chama acesa, mesmo com o que a vida lhe aplica e concede. Para existir, uma banda de rock, tem que ter a vontade de estar junta, e com a sua convivência harmônica e rítmica, voto a música, uma leve melodia de assovio. Não tínhamos mais esse alívio entre nós, na última formação do grupo. As combinações e idéias eram sempre distantes e sem grandes pretensões futurísticas. Quando escolhi ser músico e na sequência fundei com o Maurício Barros o Barão Vermelho, embutimos nisso os nossos sonhos, mais íntimos e poderosos. Era a força da adolescência querendo propor algo novo e que seria para sempre. Quando eu e Maurício, escolhemos o Dé, o Frejat e o Cazuza, sabíamos que esse time fechava uma Estrela de cinco pontas e que correríamos o mundo atrás daquele sonho. Infelizmente, uns foram ficando pelo caminho, pensando mais em si próprios e se afastando do verdadeiro Barão, da coletividade, que tínhamos quando começamos juntos. Na sequência das substituições vieram, Fernando Magalhães, Peninha, Dadi e depois o Rodrigo, todos escolhidos por mim, ou pelo Maurício Barros. A família Barão Vermelho tem pai e mãe, vivos e presentes, o que me dá certa tranquilidade, quanto as escolhas e convites. Acho que realmente somos pés quentes e sabemos escolher.

O convite ao Rodrigo Suricato, indicado pelo Maurício Barros, me fez embarcar com fé nesta nova jornada, e ponho as minhas fichas, nesse cavalo forte e detentor de um Grammy Latino, de melhor grupo de rock. Do "Orixá Barão Vermelho, somos todos cavalos de força e propulsão, uma banda de rock precisa de combustível e não se acha ou compra isso com o passado. O presente é muito mais importante, do que, o que já foi feito um dia. Pelo passado recebemos elogios e tapinhas nas costas, e pouco mais do que isso. Quem quiser curtir só o passado do Barão, verá no documentário do grupo, dirigido pela Mini Kerti, um pouco de tudo o que passamos, está fácil de ver e curtir... Quem quiser ver o que virá na fase nova da banda, terá que comprar o seu ingresso e pegar um bom lugar pra assistir e constatar que o tempo não para mesmo e que estarmos vivos representa muito mais do que se possa imaginar. Vi de perto o amigo Peninha dividir o palco comigo por 31 anos e partir daqui triste, pois não estava fazendo o que mais amava, que era tocar e atuar com o Barão. Eu não posso esperar mais por milagres e demandas, os cães ladram e a caravana passa com sabedoria. A arte e o risco, são como unha e carne e morrerão juntas. Quem gosta de ser previsível nas artes? Depois de todo o rebuliço com a volta do Barão, fica claro pra mim que a hora de comemorarmos e celebrarmos a vida é agora, e dividirmos o que construímos juntos. O que não dá, é você morrer enfraquecendo dia a dia, e esperar chegar no céu ou inferno, pra pedir uma cerveja!

Por isso desce um Jack Daniels duplo, cowboy mesmo, acenda aquela fumaça e pulverize os que pensam mais do que fazem. Eu prefiro fazer, pra depois explicar... Um dia estaremos todos no paraíso e tocaremos de novo, juntos na Big Band do Barão Vermelho!"


Video po Por Guto Goffi (Fonte: https://www.facebook.com/baraovermelhooficial)


Nenhum comentário:

Postar um comentário