domingo, 21 de agosto de 2016

Frank Jorge - Escorrega Mil Vai Três Sobra Sete (CD)


180 Selo Fonográfico, 2016
Produzido por Alexandre Birck e Frank Jorge

Release
Como já é de hábito, um disco de Frank Jorge não é apenas um disco. É uma festa para os sentidos. Agora a festa que ele promove com Escorrega Mil Vai Três Sobra Sete ultrapassa os limites que ele próprio nunca estabeleceu – por mais que alguns tenham tentado limitá-lo ao escaninho de herdeiro inesgotável do legado da Jovem Guarda. Em Escorrega Mil, a primeira surpresa para os ouvidos é ver que os últimos anos parecem ter adicionado novos elementos aos ouvidos igualmente atentos de Frank. Ainda há – e provavelmente nunca vai deixar de haver – insinuações robertianas nas novas canções de Frank. Evidente também, no entanto, que a música do cara conhecido tanto pelo seu trabalho solo quanto como a obra de Graforréia Xilarmônica – que tem no título de seu novo disco uma expressão que mescla memórias interioranas com piadas internas da estrada do rock – está mais encorpada por guitarras mais contundentes. Distorções e microfonias remetem a sonoridades contemporâneas enquanto algumas seções rítmicas de baixo e bateria podem suscitar as melhores influências de coisas dos anos 80 como Talking Heads, por exemplo.

A audição de Escorrega Mil pode ser comparada à degustação de bons vinhos. Às vezes você se surpreende com detalhes de timbres e nuances instrumentais que perduram no fundo do ouvido assim como o sabor de um vinho de qualidade permanece grudado no fundo da garganta. Escorrega Mil revela um Frank mais adulto – o que não é sinônimo de chatice como se vê em certos artistas que forçam uma maturação em suas obras. A maturidade de Frank vem na medida certa, vem expressa na preocupação com detalhes de produção muito bem cuidada e na execução exemplar das canções. Desde as guitarras “sujas” de Não é Tão Real, a excelente abertura de Escorrega Mil, até a sonoridade Byrds relida pelos olhos e ouvidos do presente na derradeira Até o Sol Aparecer, o novo rebento solo de Frank Jorge agrada ao paladar e harmoniza com qualquer ambiente. Se você ainda acredita em discos conceituais saiba que ao ouvir Escorrega Mil você estará diante um autêntico exemplar do gênero.

Sem perder a mão do pop, Escorrega Mil estende as mãos em outras direções e mostra um Frank Jorge surpreendentemente agradável nessa coleção de canções que ao final da audição nos deixam sempre querendo ouvir tudo de novo. Talvez por isso mesmo eu tenha escrito essas mal traçadas linhas com Escorrega Mil rodando incessantemente no modo repeat do aparelhinho aqui à minha frente. Fica o desafio e duvido você desgrudar também. Porque com Escorrega Mil não sobra pra ninguém.

FRANK JORGE: VOZES, BAIXO, VIOLÃO E GUITARRA
FELIPE ROTTA: GUITARRA
ALEXANDRE BIRCK: BATERIA E GUITARRA
BRUNO ALCALDE: GUITARRA
RÉGIS SAM: BAIXO
FRANCISCO SANTOS: BAIXO
VANESSA LONGONI E DANIEL TESSLER: VOZ
PRODUZIDO POR ALEXANDRE BIRCK E FRANK JORGE
GRAVADO NO ESTÚDIO MUSIC BOX (2014 A 2016) POR ALEXANDRE BIRCK, EXCETO "O VIAJANTE" GRAVADO POR ALEXANDRE BIRCK E NAUM GALLO TODAS AS COMPOSIÇÕES DE AUTORIA DE FRANK JORGE EXCETO “TURMA 8” DE FRANK JORGE E ANDRIO MAQUENZ

Faixa "Não é tão real"

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