quarta-feira, 15 de maio de 2013

Entrevista com Gaspa (The Bass Player) e seus convidados do disco novo!

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Por Cesar Gavin (Blog Vitrola Verde)

Sem alarde! Com riff. Com feeling.

O que é que você faz quando a sua banda do coração termina?  Você ouve os discos numa tarde vazia, assiste os vídeos e mata a saudade do bom e velho rock and roll. Correto? Sim. E aí vida te presenteia o tempo todo com novas emoções e abre as possibilidades para ouvirmos o trabalho solo dos integrantes que fizeram parte da sua geração, e então, você volta a ter quinze anos, começando tudo de novo e se apanha sorrindo. É assim que me senti quando ouvi cuidadosamente o novo trabalho do Gaspa, o bass player.

Gaspa é um artista diferente do que conhecemos. É um músico despreocupado com a fama. Seus destinos  foram traçados por composições e/ou interpretações destacadas nas bandas em que passou: Voluntários da Pátria, KGB, Cabine C e claro, o Ira!. Os frutos do sucesso foram bem colhidos, vividos e utilizados. A maturidade artística fica evidente quando se experimentam novos timbres, novos arranjos, músicas inéditas, regravações ou não e ainda a divisão de seu trabalho autoral com grandes nomes no vocal como Flávio Landau, Marcelo Nova, Ricardo Alpendre (banda Tomada e Gaspa e os Alquimistas), Wander Wildner e Karol Sun. O disco foi gravado com um time gigante de músicos, produzido por Edu Gomes (Irmandade do Blues, ZFG Mob, entre outros) e co-produzido por Netto Rockfeller (Blues The Ville). O álbum é recheado de  Rock and Roll, Country e  Rockabilly. Uma viagem que faz-te querer sempre mais.

Vale lembrar que além da carreira solo, Gaspa mantém firme e forte a banda Gaspa e os Alquimistas.

Então, vamos lá, Gaspa e convidados abrem o jogo.

Cesar Gavin: Gaspa, o Edgard Scandurra elogia seu tino para hits tendo um bom gosto para romantismo. Qual sua inspiração para compor? 
Gaspa: Sempre vem a música primeiro, nunca uma letra, mas geralmente na parte letra, dou uma ideia básica do assunto... um briefing. Quanto à música, varia muito. As vezes parte de um acorde diferente ou uma melodia que vem á cabeça. Não existe uma fórmula .

Cesar Gavin: Você atuou como cantor na faixa "Tanto Quanto Eu". Sua voz é boa para cantar. Existe uma possibilidade de você cantar futuramente? 
Gaspa: Dificilmente eu cante mais que uma música. Gosto de cantar, fazer backing , mas meu problema é decorar as letras. Quando chega a hora de cantar, me fogem as palavras. Fica impossível.




Cesar Gavin: Como foi a escolha do repertório? Uma lista grande ou já tinha em mente quais faixas iria gravar? 
Gaspa: Eu queria fazer um repertório com  músicas autorais e elas deveriam ficar boas em um formato  no baixo acústico. Então fui garimpar nos discos do Ira! e em tudo o que fiz até hoje.

Cesar Gavin: Você escolheu um time seleto de músicos e cantores. Faltou alguém? 
Gaspa: Sempre falta alguém. Poderia ter sido uma festa ainda maior, mas escolhi as pessoas mais próximas na época.

Cesar Gavin: Sua parceria com Ricardo Alpendre tem dado certo e rendeu duas faixas inéditas para este álbum. Vem mais coisa por ai? 
Gaspa: Com certeza! O Alpendre é uma pessoa com uma disposição incrível, um bom letrista e muito musical. A parceria com ele flui, pois ele gosta de trabalhar.

Cesar Gavin: Como foram as gravações do disco e produção de Edu Gomes e co-produção de Netto Rockfeller?
Gaspa: O CD foi gravado em duas partes uma em São Carlos sob a tutela de Netto Rockfeller e outra em São Paulo com a direção de Edu  Gomes, que foi fundamental muitas vezes,  na concepção guitarras  e opinando nos arranjos e na produção em geral.  

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Entrevista com os participantes do disco:

Cesar Gavin para Ricardo Alpendre: Como foram as gravações com sua participação e parceria em duas composições?  
Ricardo Alpendre: Foram ótimas! Fui ao estúdio do Edu Gomes e em uma tarde gravei as vozes das duas músicas, incluindo os backing vocals. Foi legal ver o Gaspa e o Edu produzindo o álbum, e gostei do método de gravar que o Edu pratica. Deixa o artista super à vontade. Sobre as duas músicas, "Rosa dos Ventos" é uma parceria do Gaspa com o Ricardo Cunha, que toca com a gente nos Alquimistas. Já "Sobre o Outono" foi feita por nós em 2009 na casa do Gaspa. Ele tinha a base, a harmonia, e eu fui colocando aquela linha melódica e a letra ao mesmo tempo, uma coisa sugerindo a outra. E o Ricardo Cunha também contribuiu nessa composição, trazendo o refrão. Achei ousada a opção de colocar uma música assim introspectiva para abrir o álbum. E a naturalidade dela ajuda a dar o clima. As duas músicas fazem parte do show, e são as duas únicas composições inéditas do CD, o que pra mim foi uma honra enorme, principalmente no meio de tantas feras que fazem parte do trabalho.




Cesar Gavin para Flávio Landau: O que poderia dizer sobre sua participação no álbum?
Flávio Landau: Minha história neste projeto começou através de um amigo em comum que temos, e que também participou deste CD, que é o Netto Rockfeller, um dos maiores cantores, guitarristas e compositores da atualidade no blues brasileiro. O Netto se apresentava com o Gaspa e a cantora Karol Sun em um projeto chamado Back to the 50´s, e neste show apresentavam clássicos do Rock, Blues e Rockabilly,  repertório que o Gaspa é muito fã e tremendo conhecedor do gênero.  Em uma destas edições, eles me convidaram, daí pra frente nos identificamos muito bem,  O Gaspa tem um histórico musical invejável, ele me contava altas histórias da época em que acompanhava o grande Antônio Marcos e quando nos encontramos é sempre um astral sem fim. O Gaspa é uma companhia agradabilíssima, me sinto muito honrado em estar próximo à ele. Eu assumo os vocais em 3 faixas, "Mistério", "Tudo de Mim" em dueto com Karol Sun e "Ciganos". Nas 3 canções, desde quando as recebi, me identifiquei bastante. Quanto à produção, sem palavras. Foi fantástica! Fui muito bem dirigido pelo Edu Gomes produtor do álbum e os arranjos são ótimos e de extremo bom gosto.

Cesar Gavin para André Jung:  O que você achou do disco novo, que incluiu a faixa "Ciganos", música da qual você é um dos autores?
André Jung: Eu sei que ele gravou, mas ainda não ouvi. Ciganos é uma música do Gaspa, com letra minha, do Nasi e do Ciro Pessoa, sua inclusão no Acústico MTV do Ira! chegou a ser questionada, mas acho que ela teve seu papel no contexto do especial da TV.




Cesar Gavin para Netto Rockfeller: Como foi a sua co-produção e instrumentação?
Netto Rockfeller: Eu dei uma pilha nele pra gravar o disco. A gente já tinha feito vários shows e achava que seria muito bom ter um disco dele, mostrando suas composições e algumas coisas novas. Sou fã dele e do Ira! Fazer parte da história dele e uma honra pra mim. Me lembro como se fosse hoje eu nos shows do Ira! lá pelo interior, o Gaspa atacando o baixo "Music Man" branco dele com a palheta! Sempre que chego na casa dele eu comento com o Bruno (batera da banda), que me dá um frio na barriga! Coisa de fã (risos). Ele vai ficar bravo comigo, mas preciso dizer que as vezes que eu e o Bruno ficamos na casa dele, nós ficamos louco vendo os discos de ouro do Ira!, lendo as coisas, vendo tudo. Passei de fã para amigo fã e de amigo fã para amigo músico fã.

Cesar Gavin para Edu Gomes: O que você pode dizer sobre sua produção do disco? 
Edu Gomes: A produção do CD foi impar por vários motivos. Na realidade fui procurado por ele para gravar 3 ou 4 músicas em meu estúdio para aproveitar parte do quarteto do Adriano Grineberg, tecladista e  amigo em comum e que tocou no Ira! por 4 anos até o fim da banda. O Sandro Grineberg, irmão e baterista do Adriano foi o outro membro do quarteto, além de mim. Anteriormente o Gaspa já havia tocado conosco, e foi ai que rolou a "vibe". O inicio das gravações de algumas músicas foi feito em São Carlos no estúdio Papagaio Records do guitarrista e amigo Netto Rockfeller, que fez uma brilhante participação no CD, além da co-produção. No meio do caminho o Gaspa achou mais interessante trazer o trabalho para São Paulo e terminar no meu estúdio (Cakewalking) onde assumi a produção definitiva do trabalho. Resolvi abraçar a causa porque, na minha opinião, o grande diferencial em um CD, ou trabalho musical, é a qualidade das composições. Sem música boa, você pode ter o melhor estúdio do mundo e não vai resolver a situação. Claro que um grande estúdio e belos arranjos podem melhorar qualquer canção, mas se a essência não for boa (composição), o trabalho não decola. Claro que eu conhecia a banda Ira!, que sempre me despertou profundo respeito pelas realizações, mas não a fundo. Somente neste trabalho é que fui saber que muitas das grandes canções da banda são de autoria do Gaspa, na maioria em parceria com o Edgard Scandurra. Isso se juntando ao grande baixista que é, serviu de base para este CD. Outro desafio foi juntar tantas músicas de qualidade, porém de origem um pouco diferente à nova roupagem que queríamos dar, que seria mais acústica, beirando o Rockabilly, Folk e Rock 'n ' Roll e não o "Rock". Aí o baixo acústico foi fundamental para definir esta sonoridade. Não usamos baixo elétrico, que apesar de ser muito legal, anula aquele "balanço" tipico do acústico. É como se fosse um surdo de bateria com nota. Decidida esta parte, o resto dos instrumentos se encaixaram mais facilmente, onde procurei respeitar ao máximo esta linguagem evitando guitarras muito distorcidas entre outras coisas tipicas do Rock mais pesado, e também usando guitarra "slide", realçando o lado "Bluesy" do CD. Além disso, os violões, dobro, pianos e órgão Hammond completaram a camada sonora. No final, a masterização cuidadosa de Daniel Lanchinho, produtor da minha banda, a Irmandade do Blues, e um dos melhores técnicos que já trabalhei e parceiro de anos de trabalho, deu o toque sutil e final  deste CD, o qual tenho imensa e alegria em ter produzido e gravado.

Álbum: Gaspa - The Bass Player
Lançamento: PPAM
Ano: 2012
Preço: R$15,00 (compre aqui)

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