sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Ratos de Porão (30 anos) - Entrevista e ensaios


Programa Vitrola Verde
Direção e apresentação: Cesar Gavin
Fotos aqui
Mingau, Betinho, Jabá e Jão

Entrevista e ensaios  dos Ratos de Porão, que comemoram 30 anos. Estavam presentes a primeira formação Jão (guitarra, bateria, voz), Mingau (guitarra), Jabá (baixo) e Betinho (bateria).

Parte 1 -  Betinho e Mingau



Parte 2 - Jão e Jabá




Ensaios

terça-feira, 23 de outubro de 2012

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O Começo do Fim do Mundo no Som do Vinil


Se você não viu, assista aqui o programa Som do Vinil, que eu dei uns "pitacos" e colaborei com a pauta. "O Começo do Fim do Mundo", é um álbum e um festival punk gravado em 1982 no Sesc Pompéia (São Paulo).



O programa é apresentado por Charles Gavin e neste epidio teve participações de Clemente (Os Inocentes e Plebe Rude), Miro de Melo (365 e Lixomania), Kid Vinil (ex-Verminose e Magazine), Antonio Bivar (escritor e o idealizador do festival), Fabio (Olho Seco), Mao (Garotos Podres), Mingau (Ultraje a Rigor, ex-Ratos de Porão, ex-365, ex-Inocentes), Gastão Moreira (diretor do filme "Botinada"), Ariel (ex-Restos de Nada e Invasores de Cérebro) e Val (Olho Seco e Cólera). 


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Entrevista com a banda Tomada

Tomada - Divulgação
Por Cesar Gavin (Blog Vitrola Verde)

Formação:
Ricardo Alpendre (voz)
Pepe Bueno (baixo)
Pedro Ayoub (guitarra)
Vagner Nascimento (guitarra)
Mateus Schanoski (teclados)
Paulo Navarro (bateria)

O que eles queriam era fazer uma música forte! E conseguiram.

Uma super banda! Jóia rara. A banda Tomada foi formada em São Paulo no final da década de 90. De lá pra cá, lançaram 3 álbuns, mudaram a formação e ainda são motivo de orgulho para quem gosta do autêntico rock, misturado com a safra da MPB dos anos 70. Conversei com dois compositores do grupo Pepe Bueno (baixo) e Ricardo Alpendre (voz). 

Bem, vamos aumentar o volume para entrar em órbita com o rock de aventura da Tomada!


Cesar Gavin: A banda está completando 12 anos. O que mudou desde o início até agora?
Pepe Bueno: Muita coisa. A cena era diferente, a música soa diferente, o público é diferente, o mundo está super rápido, parece que todos nós estamos respirando mais rápido também. As vezes mudo minha rotação para 48 de propósito... um teste mesmo. O Tomada sempre esteve aí, tocando, rodando e lançando. Não tiramos "o nosso" da reta em um minuto sequer, mas claro que existem interesses diversos, o conteúdo não é o prato principal da indústria, mas não me preocupo mais com isso. Deixo rolar. Prefiro aquele lance punk: faça você mesmo! Gosto disso!

Cesar Gavin: Quem montou a banda?
Ricardo Alpendre: Foi o Pepe e o Pedrinho, que está de volta agora para a formação atual, somados a outros músicos. Eu entrei provavelmente na  primeira mudança de formação, durante o Carnaval de 2001. Temos várias lembranças engraçadas dessa época.


Foto: Moralez

Cesar Gavin: A internet favorece ou prejudica vocês? Como avaliam o download de músicas?
Ricardo Alpendre: Favorece! Antes da internet, dos downloads e da distribuição gratuita, não havia também a divulgação que a rede possibilita. Com discos a preços justos, sempre vai haver gente querendo comprar, especialmente o pessoal que tem cultura musical.
Pepe Bueno:  A internet ajuda. Sempre tentaremos facilitar para que as pessoas ouçam a nossa música. Pefiro o mundo real, fazer um som ao vivo, ouvir música com amigos, mas gosto também da internet, a comunicação que ela inventou entre as pessoas, a música pode ser mais longa, mais rápida, não sei  se ela é digerida da mesma forma de quando você ouve um CD do começo ao fim, um vinil lado a / lado b, acredito que não. Não é pela plataforma que você está ouvindo e sim a forma de como se ouve música hoje em dia.

Cesar Gavin: Como está sendo a nova formação da banda, depois da saída do guitarrista Marcião?
Pepe Bueno: Estamos bem. Acabamos de fazer shows legais : Virada Cultural, Bourbon Street, CCSP, etc. Acabamos de participar do Veja Música, que tem Sérgio Martins como comandante. Estamos fazendo shows por várias cidades do Brasil, temos ainda alguns shows pela frente e tem o DVD documentário que pretendemos lançar em breve.

Capa do álbum "O Inevitável"
Cesar Gavin: Por que o nome do disco é "O inevitável"?
Ricardo Alpendre: De início seria " O inevitável caminho para a o estrelato", que também era originalmente o nome da música "Luzes", de onde vem a expressão e a idéia. Foi a primeira música que colocamos na roda após o lançamento do segundo álbum, "Volts". Eu me lembro de ter mostrado a linha melódica e parte da letra. E o Rodrigo, o guitarrista na época, deu umas sugestões para a harmonia que foram muito bem vindas. Originalmente, a palavra "inevitável" ficaria sendo repetida várias vezes no refrão, pelos backing vocais.



Cesar Gavin: Vocês são parceiros em várias composições. Me falem um pouco desta parceria. Como compõem? Tem várias letras escritas para mulheres. São amores / ex-amores?
Pepe Bueno: Não tem regra, eu normalmente mostro um lance bem cru para o Alpendre (violão e voz, nem sempre com letra) ou as vezes só idéias de um assunto ou frases soltas na música. E ai ele faz na hora, outras demoram um pouco. Já mostrei várias idéias minhas pra ele e nunca tive um feedback. Não acho ruim, com certeza entrarão em um disco solo meu ou mesmo num próximo disco do Tomada, quando ele ouvir e entender a idéia (risos).
Ricardo Alpendre: É aquele processo natural de um vir com uma parte da idéia e os dois, ou mais pessoas, desenvolverem. Um caso interessante é de "Ela não tem medo". O Pepe trouxe o riff e a harmonia foi sendo bolada nos ensaios, entrando coisas que o Marcião (ex-guitarrista) sugeriu, e eu a partir dalí criei uma linha melódica para cantar a letra. Só que quem pediu pra fazermos uma música no estilo beat sessentista foi o Marciano (baterista), o que influenciou todo o processo. Nas letras, tem as situações que você citou e mais algumas... (risos). Sempre importo muito com as letras e nesse álbum conseguimos colocar em prática uma evolução que foi notada pelas pessoas que curtem boas letras. Elas precisam ser boas, independente da temática. A palavra é para mim como a bola significa para ex-jogador Nilton Santos: gosta de ser bem tratada e requer intimidade. Ela dá de volta todo o bom tratamento que recebe.

"Daí aqueles pequenos "erros" naturais de um não robô tocando... prefiro soar natural" (Pepe Bueno sobre a gravação do disco)

Pepe Bueno - Arquivo do artista
Cesar Gavin (para Pepe Bueno): Gostei muito do som e da timbragem do baixo neste disco "O inevitável". Pode contar um pouco sobre seu equipamento e como foi o processo de gravação?
Pepe Bueno: Poxa, obrigado, Gavin. Os timbres são difíceis de explicar porque vai muito do jeito que toco, é sensitivo. Lógico que criei linhas de baixo nessa vida (risos), mas gosto do momento, da sensação dele na música. Daí aqueles pequenos "erros" naturais de um não robô tocando e aquele lance de músico de estúdio também fica longe de mim, prefiro soar natural. Sobre a parte técnica da gravação, as pessoas mais importantes do disco foram o Soneca (banda Baranga, que me emprestou um caixa 4x12 e um cabeçote Marshall) e o Luiz Domingues (da banda Pedra por emprestar seu baixo querido Fender). E tem também o meu "Rickenbacker", que o Tiguez sempre troca as cordas antes de eu gravar.





Cesar Gavin: Ouvindo a faixa "Entro em órbita", me remeteu aos Mutantes na fase dos anos 70. Eles são uma grande influência pra vocês, assim como o Caetano Veloso?
Pepe Bueno: Adoramos Mutantes e sempre iremos gostar, pode ter certeza que tem muito deles, como Guilherme Arantes, David Bowie no som. Tem aquele ar psicodélico quando o clima direciona a música. Criar essa atmosfera é um dos segredos desse som.
Ricardo Alpendre: São uma grande influência, mas não sei se essa música os tem como referência. Foi o Marcião que trouxe a melodia, que eu gravei e levei para trabalhar na letra. Encontrei um tema e fui. Os Mutantes são muito importantes pra nós como várias bandas nacionais. O Caetano Veloso sempre foi um criador supremo, um estilista da música mesmo. Do tempo da Tropicália até certo ponto dos anos 90, considero o cara mais impecável. Aliás, nos anos 90, vi vários shows dele e sempre teve a atitude de cantor-compositor que alguns dos melhores roqueiros têm.

Ricardo Alpendre e Pepe Bueno - Divulgação

Cesar Gavin (para Pepe Bueno): Como foi trabalhar com Xando Zupo?
Pepe Bueno: Muito bom! Tem dois Xandos:  O Xandico e o Seu Zupo. Eu me dou bem com os dois. Quando tava o Xandico no estúdio, tocávamos o puteiro, como bons roqueiros e quando estava o Seu Zupo, eu ficava pedindo desconto no estúdio e na birita. Mas adoramos trabalhar com ele, gostamos de amplicadores valvulados e guitarras Les Paul, gravamos boa parte do "Inevitável" no estúdio dele, pois já sabíamos o que queríamos e ele nos deu boas dicas também.

Cesar Gavin (para Ricardo Alpendre): Como foi trabalhar na pré-produção com guitarrista da Pitty, o Martin Mendonça?
Ricardo Alpendre: Nós o convidamos para a produção do que seria o próximo álbum, por ele ser amigo de todos nós e ele logo produziu dois singles virtuais, com "Catarina" e "Triste e Distante", gravador por ele e pelo Duda em um estúdio maravilhoso que eles têm. Martin ia sempre aos ensaios e trabalhou muito com a gente no desenvolvimento dos arranjos e das interpretações. Quando as agendas começaram a ficar difíceis de conciliar, nós mesmos fomos produzir "O Inevitável", mantendo várias idéias que ele colocou.

"Eu vou morrer cantando em coral... aprendi tudo o que não havia aprendido sobre o canto" (Ricardo Alpendre sobre a experiência de cantar em corais)

Ricardo Alpendre
Foto por Carolina Moreira da Costa
Cesar Gavin (para Ricardo Alpendre): Você ainda participa de grupos corais que criam peças acappella de compositores renascentistas / clássicos?
Ricardo Alpendre: Eu vou morrer cantando em coral. E enquanto o nosso maestro Luiz Marchetti me aceitar, eu farei parte do Madrigal Vivarte, um grupo que tem trinta anos de história e onze comigo. São músicas renascentistas; de compositores eruditos mais modernos também como Debussy, Stravinsky e Hindemith; uns "quitutes" de folclore brasileiro, adaptados por compositores eruditos; negro spirituals (que são a origem da soul music). Tudo accappella. Com eles, aprendi tudo o que não havia aprendido sobre o canto.

Cesar Gavin (para Ricardo Alpendre): Como você ajusta seus trabalhos de locutor e com o grupo Gaspa e os Alguimistas, que também integra?
Ricardo Alpendre: Na verdade eu não ajusto! Eu vou vendo o que consigo fazer, administrando a saúde da voz, porque a locução comercial é um trabalho em que a minúcia faz toda a diferença. Não posso gravar uma narração se a voz não está cem por cento. Atuando em três frentes, eu sou uma usina de preocupações. Mas vale a pena! Cada um desses trabalhos me conecta com pessoas que fazem não só ele próprio a valer a pena, mas tudo.

Cesar Gavin (para Pepe Bueno): E você como concilia seus trabalhos com edição de vídeo e em outras bandas?
Pepe Bueno: É aquele lance, você sempre acaba querendo ter 48 horas nos dias, algumas vezes consigo. Mas gosto muito de editar. Nasceu com a veia criativa, gosto de trabalhar com pessoas diferentes de mim. É possível que eu lance mais um disco solo, mas será apenas uma semana gravando meus sons. A necessidade de compor é o meu maior vício, mas meus próximos planos são terminar o DVD documentário do Tomada e lançar um disco novo de inéditas com a banda.